Omissas | Margarida Tengarrinha: uma vida a desenhar a liberdade
O novo episódio de “Omissas” dá a conhecer a história de Margarida Tengarrinha (1928–2023), artista plástica, professora, escritora e resistente antifascista portuguesa, que dedicou grande parte da sua vida à luta pela liberdade e pela democracia.
Nascida em Portimão, Margarida Tengarrinha envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo. A sua participação nas lutas estudantis e nos movimentos antifascistas levou à sua expulsão da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1952, ficando também impedida de prosseguir os estudos superiores e de exercer a profissão de professora.
Em 1955, passou à clandestinidade com o companheiro, o escultor José Dias Coelho. Juntos, desenvolveram um trabalho fundamental para a resistência, utilizando os seus conhecimentos artísticos na falsificação de documentos de identificação que permitiam aos militantes antifascistas escapar à vigilância da polícia política.
O assassinato de José Dias Coelho pela PIDE, em 1961, não interrompeu a sua luta. Margarida Tengarrinha continuou a participar na resistência clandestina, colaborando com o jornal Avante!, com a publicação A Voz das Camaradas e, durante o exílio, com a Rádio Portugal Livre.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, prosseguiu a sua intervenção política e cívica, tendo sido deputada à Assembleia da República. Mais tarde, dedicou-se também à arte e à escrita, deixando o testemunho da sua experiência no livro Memórias de uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade em Portugal.
Margarida Tengarrinha faleceu em 2023, aos 95 anos, deixando um legado de coragem, resistência e compromisso com a liberdade.
Neste episódio, “Omissas” recupera a memória de uma mulher que viveu quase duas décadas na clandestinidade, mas cuja história merece ser conhecida e lembrada.
Porque a liberdade também foi conquistada por mulheres que desenharam, escreveram, resistiram e arriscaram a própria vida.
Sobre o projeto “Omissas”
“Omissas” é uma rubrica mensal dedicada a recuperar e dar visibilidade às histórias de mulheres que marcaram a sociedade, a cultura, a ciência, a política e a história, mas cujo contributo nem sempre recebeu o reconhecimento merecido.
Uma iniciativa que pretende valorizar o papel das mulheres na construção da nossa memória coletiva e contribuir para uma sociedade mais igualitária.