Omissas recorda Carolina Beatriz Ângelo, a mulher que conquistou o direito de voto
Uma médica, uma decisão corajosa e um voto que mudou a História. A rubrica Omissas — heroínas sem capa dá voz a Carolina Beatriz Ângelo, pioneira na luta pelos direitos das mulheres em Portugal.
A Câmara Municipal do Montijo, através da rubrica Omissas — heroínas sem capa, recorda Carolina Beatriz Ângelo, médica, republicana e defensora dos direitos das mulheres, que se tornou a primeira mulher a votar em Portugal, a 28 de maio de 1911.
Num tempo em que a participação política das mulheres era praticamente inexistente, Carolina Beatriz Ângelo recusou aceitar que o seu género determinasse os seus direitos. Viúva, instruída e chefe de família, encontrou na legislação eleitoral da época uma possibilidade de reivindicar o direito de voto.
Depois de o seu pedido de inscrição nos cadernos eleitorais ter sido recusado, recorreu à Justiça e obteve uma decisão favorável. No dia das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, em 1911, exerceu finalmente o seu direito.
O seu gesto foi pioneiro, mas a conquista não se traduziu numa mudança imediata. Em 1913, a legislação eleitoral passou a especificar que apenas os cidadãos do sexo masculino podiam votar, voltando a excluir as mulheres.
Carolina Beatriz Ângelo morreu a 13 de outubro de 1911, poucos meses depois de ter protagonizado este momento histórico. O seu legado, porém, permaneceu vivo e tornou-se símbolo da luta pela igualdade e pela participação das mulheres na vida política.
Com esta homenagem, Omissas — heroínas sem capa continua a revelar histórias de mulheres extraordinárias, cujos contributos nem sempre receberam o reconhecimento devido.
Porque recordar estas mulheres é também reconhecer os caminhos que abriram e compreender que a igualdade se constrói, todos os dias, com coragem, determinação e voz.
Um voto. Uma voz. Um lugar na História.
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