'Não Esperem que me Cale e Obedeça' [revisitação da poesia de Maria Teresa Horta]
21h30
Ermida de Santo António*
uma criação PICA, Tributo a Maria Teresa Horta
Entrada livre
“Não esperem que me cale e obedeça” é uma revisitação da poesia de Maria Teresa Horta (1937-2025), feita de transgressão, de desobediência e de liberdade, três pilares consubstanciados na sua escrita e que nortearam a sua vida de mulher e de escritora. Uma revisitação que importa, uma voz poética que desvela e revela, um marco incontornável no contexto literário nacional e internacional.
A sua intervenção política, social, cívica e literária fizeram dela uma das vozes mais corajosas e influentes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX e uma das cem mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo, com destaque recente na lista “BBC 100 Women”.
Em 1972, em coautoria com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno, publicou as Novas Cartas Portuguesas, obra escrita pelas três, feita de textos individuais, não assinados, e cuja autoria nunca viria a ser tornada pública.
Denunciavam, então, a condição feminina em Portugal, a guerra colonial, a pobreza, a repressão e a violência, os códigos morais da ditadura, desafiando a censura, as convenções sociais vigentes, o status quo. O caso, com grande repercussão nacional e internacional, ficaria conhecido como o processo de “As três Marias”, alvos de perseguição, espancamento e censura. O caso sensibilizou e mobilizou a opinião pública internacional, com manifestações de solidariedade além fronteiras. O poder tremia. O livro foi apreendido e destruído pela PIDE. Os tiranos têm (sempre tiveram) medo dos livros.
As Novas Cartas Portuguesas são uma obra de referência que merece ser lida, revisitada, tal como toda a vasta obra (poesia, romance, conto, crónica…) de Maria Teresa Horta, a Desobediente. Que o medo não nos paralise. NUNCA.
Lembrando “As Três Marias”, que cada um saiba encontrar resposta para as perguntas que aqui ficam:
“Minhas irmãs:
Mas o que pode a literatura? Ou antes: o que podem as palavras?”
in Novas Cartas Portuguesas
Em 2026, o PICA, Projeto de Intervenção Cultura e Artes, criado em 2018, continuará o propósito que lhe subjaz: dinamizar a cultura, o conhecimento, o saber e os saberes, promover e divulgar a literatura, a poesia, os poetas e a leitura em voz alta.
FICHA TÉCNICA
Criação e Dramaturgia: Sara Loureiro
Performers/Intérpretes: João Marques Jacinto, Romy Petrucci, Sara Loureiro
Música: Vitor Pastor, Acordeonista
Sonoplastia: José Loureiro
Encenação: PICA
Produção: PICA, Galeria Municipal do Montijo
PICA: Quem somos. O que fazemos.
Criado em 2018, o PICA, Projeto de Intervenção Cultura e Artes, é um projeto de dinamização cultural, com uma vertente fortemente ancorada na literatura, na promoção da poesia, na leitura em voz alta, mas também na promoção do saber e dos saberes, no debate de ideias e no desenvolvimento da massa crítica.
Apoio: Câmara Municipal do Montijo | Parceria: Banda Democrática 2 de janeiro.
* Nota: Ermida de Santo António - Avenida dos Pescadores 78, Montijo.
21h30