Câmara aprova contas consolidadas de 2025 mas investimento realizado em 2025 ficou aquém do previsto
Na reunião de câmara ordinária de 11 de junho de 2026, a Câmara Municipal do Montijo aprovou a Prestação de Contas Consolidada do exercício de 2025, documento que será agora submetido à apreciação da Assembleia Municipal. A reunião realizou-se na AMUT, em Sarilhos Grandes, marcando a primeira reunião descentralizada do atual executivo.
Na apresentação da proposta, o presidente da Câmara Municipal do Montijo, Fernando Caria, salientou que as contas agora aprovadas refletem, na sua quase totalidade, a gestão desenvolvida pelo anterior executivo, uma vez que o atual mandato teve início em novembro de 2025. Sublinhou ainda que as demonstrações financeiras consolidadas foram objeto de revisão técnica externa por entidade especializada, tendo sido confirmada a sua conformidade após a incorporação das correções identificadas.
As contas consolidadas integram a atividade da Câmara Municipal, dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento e da Associação para a Formação Profissional e Desenvolvimento do Montijo, permitindo uma visão global da situação financeira do grupo municipal, composto por 1.236 trabalhadores.
De acordo com os dados apresentados, o ativo consolidado ascendeu a 288,9 milhões de euros, representando um crescimento de 2,8% face ao ano anterior, enquanto o património líquido se aproximou dos 269 milhões de euros. O exercício de 2025 encerrou com um resultado líquido positivo de 2,7 milhões de euros, invertendo os resultados negativos registados em 2024.
A receita total consolidada atingiu os 88,2 milhões de euros e a despesa total fixou-se nos 66,4 milhões de euros. A disponibilidade de tesouraria situava-se, no final do ano, nos 23,2 milhões de euros, mais 6,3 milhões de euros do que em 2024.
Os indicadores financeiros evidenciam uma situação de elevada solvabilidade, com 93% do ativo financiado por capitais próprios e uma dívida financeira total de 2,9 milhões de euros, equivalente a cerca de 1% do património líquido. A receita corrente permitiu ainda gerar um excedente de 11,5 milhões de euros.
Apesar dos indicadores financeiros favoráveis, o presidente da Câmara destacou que o investimento realizado ficou aquém do previsto. Em 2025, a despesa de capital totalizou 7,98 milhões de euros, correspondendo a cerca de 12% da despesa total do exercício. Segundo referiu, o reforço da tesouraria resulta, em parte significativa, da não concretização de uma parte importante dos investimentos previstos, traduzindo-se em obras e projetos que ficaram por executar.
Na sua intervenção, o presidente considerou que o município recebeu uma situação financeira sólida, caracterizada por baixos níveis de endividamento, crescimento da receita e uma tesouraria robusta, mas também um conjunto de compromissos e expectativas por concretizar, defendendo a necessidade de aumentar o ritmo de execução dos investimentos.
Nesse sentido, identificou como prioridades do atual mandato a aceleração das obras e projetos em curso, com especial incidência nas áreas das estradas e espaço público, manutenção urbana, habitação, escolas e equipamentos sociais, bem como o reforço da monitorização da execução orçamental, a recuperação de dívidas em mora e a prestação regular de informação aos órgãos municipais sobre o estado de execução do orçamento e dos investimentos.
A proposta foi aprovada com 5 votos a favor (3 MVC, 1PSD, 1 PS) e 2 votos contra (CHEGA).