De Aldeia Galega do Ribatejo a Montijo: 90 anos da denominação Montijo
Hoje, 6 de junho de 2020, assinalamos o 90.º aniversário da denominação Montijo, atribuída à nossa cidade pelo Decreto n.º 18.434 de 6 de junho de 1930 publicado no Diário do Governo, I Série, número 131 de 7 de junho de 1930.
Para a história fica o explanado no preâmbulo do documento, onde se refere que “considerando que nada há que justifique o actual nome de Aldeia Galega do Ribatejo que tem o referido concelho e vila, ao qual poderá ser atribuído o de Montijo, que melhor condiz com as suas tradições históricas;” e no artigo 1º é decretado que “a vila e concelho de Aldeia Galega do Ribatejo, distrito de Setúbal, passa de ora avante a denominar-se Montijo.”
Esta decisão governamental é o resultado da iniciativa tomada pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal, presidida por Carlos Hidalgo de Gomes de Loureiro, após aprovação em sessão realizada a 5 de fevereiro de 1930 e de envio nessa data de ofício dirigido ao Ministro do Interior, no qual se solicita a mudança do nome da vila e concelho e, simultaneamente, a sua elevação a concelho de 2.ª ordem.
Mas esta história tem outras estórias, pois esta aspiração de alteração da denominação da vila e concelho não nasceu há noventa anos. Ela remonta ao século XIX, mais propriamente a 1881, quando em 12 de junho, um movimento de 205 indivíduos nascidos e habitantes do concelho, então oficialmente conhecido com “Aldeia Gallega do Riba-Tejo” assina um requerimento, que em 19 de junho dirigem à Câmara Municipal, no qual pedem que seja restituído o seu antigo nome de Alda.
E aqui entram as estórias à volta das possíveis denominações da nossa terra, remetendo-vos para o nosso destaque em termos de livros das coleções bibliográficas da Biblioteca Municipal, a saber: Coisas da Nossa Terra: breves notícias da Villa de Aldeia Gallega do Ribatejo (1906, com edição fac-similada em 2001) da autoria de José de Sousa Rama e Vila do Montijo (1956) de Rui de Mendonça.
Ambas as obras merecem o nosso destaque hoje a propósito da evocação do nonagésimo aniversário da denominação da vila e concelho como Montijo, pois são obras pioneiras naquilo que podemos mencionar como uma possível historiografia local e têm em comum serem fontes privilegiadas para se conhecer as estórias e a história da passagem de uma denominação com séculos de existência para outra com apenas noventa anos.
Na obra de José Sousa Rama (1906) temos o relato na primeira pessoa da criação do movimento de substituição da então denominação, a partir do assumir convicto da estória de Alda, a Galega. Cinquenta anos mais tarde Rui de Mendonça (1956) no capítulo I apresenta uma interessante síntese intitulada “O nome de Aldeia Galega na história, na tradição e na lenda”, onde retoma o que anteriormente foi escrito por José Sousa Rama. Criticando a sua tese assente na lenda, defende uma versão também efabulada sobre a origem do nome Aldeia Galega (Aldeia Gàlleci, oriunda de gauleses…) e conclui com a verdadeira história: a deliberação e ofício de 5 de fevereiro e o Decreto de 6 de junho do ano de 1930.
Assim, e recorrendo à História, é de referir que o topónimo “Montijo”, esse sim é anterior à designação Aldeia Galega, e aparece em 1248, como Montigio e localiza-se no lugar, ponta e península do mesmo nome (atual localização da Base Aérea nº 6).
Foto: Praça da República, cerca dos anos 30 do século XX