“Não Esperem que me Cale e Obedeça” revisita a poesia de Maria Teresa Horta na Ermida de Santo António
A Ermida de Santo António recebe no dia 19 de junho, pelas 21h30, a criação PICA “Não Esperem que me Cale e Obedeça”, uma revisitação da poesia de Maria Teresa Horta (1937-2025), num tributo que cruza palavra, memória e intervenção cultural.
Esta criação propõe um reencontro com a obra e o legado da autora, destacando a transgressão, a desobediência e a liberdade como pilares fundamentais da sua escrita e da sua vida. Figura incontornável da literatura portuguesa contemporânea, Maria Teresa Horta afirmou-se também pela sua intervenção política, social e cívica, sendo reconhecida como uma das vozes mais influentes da cultura nacional e internacional.
A sua obra integra momentos decisivos da história cultural portuguesa, com especial destaque para a publicação de Novas Cartas Portuguesas (1972), em coautoria com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno. O livro, marcado pela denúncia da condição feminina, da repressão política e social e da violência do regime ditatorial, originou um dos mais mediáticos processos de censura do Estado Novo, conhecido como o caso das “Três Marias”, que mobilizou forte solidariedade internacional.
“Não Esperem que me Cale e Obedeça” revisita este legado literário e político, sublinhando a atualidade de uma obra que continua a interpelar o presente e a questionar o papel da literatura na sociedade.
A criação integra o trabalho do PICA – Projeto de Intervenção Cultura e Artes, coletivo fundado em 2018, que tem vindo a promover a literatura, a poesia, a leitura em voz alta e o debate cultural, contribuindo para a dinamização artística do território.
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