Comemoração do Dia Mundial do Livro
Neste tempo de confinamento social, espacial e temporal, assinalamos o Dia Mundial do Livro (23 de abril) com uma sugestão de leitura pela Biblioteca Municipal Manuel Giraldes da Silva.
Antes de conhecermos a sugestão, fique a saber que o Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Neste dia, assinala-se, também, o Dia do Direito de Autor.
Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e recebem, em troca, um livro, testemunho das aventuras do heroico cavaleiro. Em simultâneo é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare, Cervantes e Garcilaso de La Vega, falecidos em abril.
Se este ano vai ser difícil oferecer uma rosa, mais fácil é sugerir um livro. Assim, a Biblioteca Municipal do Montijo propõe-lhe a leitura do livro “A Peste” (1947), de Albert Camus (1913-1960).
Num contexto de pandemia e de imperativo confinamento social, espacial e temporal consideramos pertinente celebrar o Dia Mundial do Livro revisitando esta obra prima da literatura mundial e o seu celebrado e premiado autor.
Na manhã de um dia 16 de abril dos anos de 1940, o doutor Bernard Rieux sai do seu consultório e tropeça num rato morto. Este é o primeiro sinal de uma epidemia de peste que em breve toma conta de toda a cidade de Orão, na Argélia. Sujeita a quarentena, esta torna-se um território irrespirável e os seus habitantes são conduzidos até estados de sofrimento, de loucura, mas também de compaixão de proporções desmedidas.
De todos os romances de Camus, nenhum descreveu o confronto do homem - e a coabitação - com a morte de maneira tão intensa e numa escala épica como “A Peste”. Todos devemos, com o advento do COVID-19, lê-lo agora: pois todas as respostas da humanidade à morte estão representadas nesta obra, tanto a nível literal como metafórico.
O vírus anda por aí, mas pensamos que apenas diz respeito aos outros. Não! É uma questão de todos nós, ninguém é invulnerável a ele.
Camus regista nesta sua obra que o despontar de uma epidemia letal leva-nos a meditar sobre o tempo, quando anteriormente não nos apercebíamos da sua espessura e como cada minuto pode ter uma imensidão de oportunidades. Para o autor apenas existe uma forma frutuosa do tempo: senti-lo em toda a sua lentidão…
“A Peste”, disponível na Biblioteca Municipal Manuel Giraldes da Silva, é uma história arrebatadora sobre o horror, a sobrevivência e a resiliência do ser humano. Uma parábola de ressonância intemporal, um romance magistralmente construído, publicado originalmente em 1947, e que a atribuição do Prémio Nobel em 1957, consagrou definitivamente Albert Camus como um dos autores fundamentais da literatura moderna.