Impacto das Alterações Climáticas na Saúde
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No âmbito do Projeto de Investigação “Impacto das ondas de calor e vagas de frio na saúde dos munícipes do concelho de Montijo. Implementação de um sistema de monitorização e de apoio à decisão estratégica local”, a Câmara Municipal do Montijo, através da Divisão de Desenvolvimento Social e Promoção da Saúde, disponibliza a seguinte informação relativa aos eventos climáticos e impacto na saúde dos munícipes do concelho:
Eventos Climáticos e Saúde dos Munícipes do Concelho do Montijo [Relatório Final]
A ação do homem tem influenciado, de forma cada vez mais observável, o clima e a temperatura do planeta. A queima de combustíveis fósseis, o abate desregrado de florestas inteiras ou a atividade pecuária intensiva de gado são algumas das atividades humanas que têm resultado na produção de elevadas quantidades de gases emitidos, que aumentam o efeito de estufa e têm contribuído para o aquecimento global e alterações climáticas. Projeções recentes do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) indicam que a temperatura média global à superfície terrestre poderá aumentar até 1,5ºC entre 2030 e 2052.
Os efeitos das alterações climáticas são cada vez mais severos, com a ocorrência progressivamente mais frequente de eventos extremos ou catástrofes associadas e com períodos cada vez mais prolongados de temperaturas muito elevadas ou muito baixas, escassez de água (secas) ou elevada precipitação em pouco tempo (inundações), incêndios, e outras catástrofes.
O aumento das temperaturas tem consequências negativas diretas e indiretas (associando-se, também, ao aumento das concentrações de poluentes atmosféricos) para a saúde humana. A evidência é já muito substancial quanto ao facto de a exposição do ser humano a temperaturas atmosféricas muito elevadas como muito baixas estar associada ao aumento de taxas de morbilidade e mortalidade. Este efeito deletério de temperaturas extremas na saúde humana não se distribui de forma igual em todos os territórios afetados, nem entre todos os grupos populacionais. Quer o desenho dos ambientes construídos (ambientes urbanos) quer as caraterísticas das populações funcionam como variáveis que moderam o efeito das temperaturas na saúde. Assim sendo, para uma dada situação meteorológica, existem áreas urbanas ou rurais mais afetadas (sendo por exemplo expectável que os efeitos das ondas de calor se façam sentir com maior intensidade em locais mais edificados e menos arborizados), assim como grupos mais vulneráveis (por exemplo, pessoas com doença crónica, bebés, crianças e adolescentes, pessoas com idade avançada).
Apesar de o esforço de investigação tender a concentrar-se na associação entre ondas de calor e morbimortalidade, a evidência tem mostrado que importa estudar a associação entre a exposição a noites tropicais (desconforto térmico durante a noite e, em particular, durante o período de sono) em eventos críticos. De facto, as noites tropicais têm sido associadas a um aumento de mortalidade e de indicadores de morbilidade. Alguns estudos indicam que a exposição prolongada a estes eventos pode agravar condições pré-existentes, como doenças cardiovasculares, resultando num aumento significativo de internamento hospitalar. Além disso, as noites tropicais estão associadas a um stress térmico que pode afetar a saúde mental, contribuindo para a emergência de sintomas de ansiedade ou depressão. As características térmicas da habitação e determinantes sociais, como baixo rendimento (promotor de pobreza energética) ou acesso limitado a serviços de saúde, podem ter aqui um papel fundamental.
As alterações na taxa de mortalidade causadas por aumentos significativos das temperaturas, correspondendo ou não a ondas de calor, estão bem documentadas. Em Portugal, por exemplo, a onda de calor de 2003 provocou um aumento em 43% do número de mortes na população, comparativamente ao período análogo de anos anteriores. De uma maneira geral, a maioria destas mortes tende a ocorrer em pessoas com doenças cardiovasculares, doenças respiratórias ou doenças cerebrovasculares previamente diagnosticadas. As crianças e as pessoas com mais idade são também especialmente vulneráveis, bem como pessoas com um estado geral de saúde debilitado ou a tomar medicação (alguns medicamentos podem interferir com a regulação homeostática do corpo, o que pode resultar mais facilmente em fenómenos de desidratação). Relativamente às vagas de frio, estima-se que estejam associadas a um aumento entre 9 e 12% na taxa de mortalidade (comparando com períodos análogos) em pessoas com doença crónica e idade mais avançada.
A evidência científica aponta para um aumento do número de hospitalizações e chamadas de emergência em pessoas com doença crónica ou mesmo em pessoas com perturbação mental em períodos de temperaturas extremas. É também de salientar o incremento no número de nascimentos pré-termo, o que se reflete em baixo peso dos nados-vivos, entre outros impactos negativos na saúde do bebé. Crianças, pessoas de idade mais avançada e profissionais expostos de forma prolongada a períodos de calor extremo por falta de (ou insuficiente) climatização (e.g., guias turísticos, empregados de restauração em esplanadas) são mais vulneráveis aos efeitos das ondas de calor na sua saúde.
Projeções no âmbito do Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas (PMAAC) da Área Metropolitana de Lisboa (AML) indicam que a vulnerabilidade a calor excessivo no concelho do Montijo é muito elevada. Os dados da estação meteorológica de Palmela/Pegões revelam que em 2022 se verificaram três ondas de calor no concelho do Montijo, sendo que a média para o total das restantes regiões foi de duas ondas de calor para o mesmo ano.
Para mais informação, consulte o Relatório Eventos Climáticos e Saúde dos Munícipes do Concelho do Montijo e o Folheto Informativo sobre Temperatura e Saúde no Concelho do Montijo